Até
bem pouco tempo, ser brasileiro e católico era uma noção praticamente
indivisível, mas aos poucos esse conceito está mudando. E no Rio Grande
do Norte não é diferente. O Censo de 2010 mostrou que os fiéis de Roma
são 938.315. Os protestantes já somam 181.247.
Ana Silva
Algumas igrejas, como esta na rua Joaquim Teodoro de Oliveira, em Nova Parnamirim, ocupam grandes imóveis
A
servidora pública Karla Correa vê de maneira positiva o crescimento da
religião evangélica. Há 21 anos ela se converteu e um dos aspectos que a
chamou a atenção foi essa liberdade de professar a fé. "Acho importante
essa diversidade. Não me agride o fato de se ter várias igrejas. Têm
aquelas mais voltadas para a família, outras para os jovens, para o
louvor. Cada um vai para aquela que se identifica", diz Karla que
congrega na Igreja Sara Nossa Terra. Ela se converteu aos 10 anos de
idade junto com a mãe e o irmão.
O analista de sistemas Wabner
Alves nasceu em uma família evangélica. O pai dele é pastor da
Assembleia de Deus. Para ele é preciso cuidado ao escolher a igreja.
"Infelizmente, algumas pessoas não totalmente convertidas a Cristo abrem
igrejas e pregam além do que diz a bíblia. Por isso, é preciso avaliar
como é a igreja, o que ela prega", orienta Wabner.
Mas se fundar
uma igreja evangélica não é uma tarefa das mais difíceis, comandar
centenas de fieis requer uma preparação e tanto. Primeiro é preciso ter
vocação.
Magnus Nascimento
O Copastor José Alderi diz que vocação é fundamental
"Temos
que ter um chamado de Deus primeiramente. Depois é preciso muito
estudo e dedicação. Os escolhidos para serem pastor tem que ter vocação
e viver retamente, afinal será exemplo para os outros", disse o
co-pastor José Alderi de Souza.
Os pastores são escolhidos entre os
membros da igreja. Eles são avaliados preparados pelos pastores, depois
de três anos como auxiliar é consagrado diácono. E assim por diante.
Esse
processo de escolha varia de acordo com cada congregação. Na Igreja
Evangélica Congregacional Zona Sul, o candidato a pastor tem que ser
membro da igreja e deve receber a aprovação de, pelo menos, 2/3 dos
membros.
"Cada denominação tem a sua forma de escolher. Na nossa
igreja, o pastor é escolhido entre os membros porque sabe-se que essas
pessoas estão comprometidas com a nossa fé. Além disso, precisa
demonstrar conhecimento da Palavra, capacidade de lidar com os fieis,
entre outras características", explica o pastor Marcos Nascimento.
Católicos centralizam expansãoNo
catolicismo há uma maior rigidez quando se fala em abrir uma nova
igreja. Para se ter uma ideia, em todo o Rio Grande do Norte existem
apenas 85 paróquias - 45 delas em Natal - e oito áreas pastorais. De
acordo com o Chanceler da Cúria Arquidiocesana, padre Valtair Lira,
áreas pastorais são quase paróquias. Ou seja, áreas que estão prestes a
se tornar paróquia. Ele citou como exemplo a de Nossa Senhora do Carmo
que vai se tornar Paróquia no bairro de Cidade dos Jardins, em
Parnamirim.
"Para se tornar paróquia, é preciso a autorização do
bispo. Isso porque nós temos o cuidado de preserva a comunhão dos padres
com o bispo e do bispo com o Papa. Tem que haver essa sintonia.
Respeitamos a diversidade, mas acreditamos que é preciso que existam
normas", diz padre Valtair.
O padre de determinada paróquia,
juntamente com o Conselho Paroquial avaliam a construção de novas
igrejas. A paróquia tem sua igreja Matriz e, dependendo da necessidade,
capelas. Segundo padre Valtair, cada paróquia tem o seu CNPJ, estrutura
de secretaria, casa paróquia, centro pastoral. E para manter tudo isso, é
preciso ter também organização financeira. A paróquia precisa arcar com
seus custos.
Assim como os templos evangélicos, as igrejas
católicas também são livres de impostos, como o IPTU, por exemplo. Mas
como acontece nas empresas, é preciso fazer prestação de contas dos
gastos, recolher impostos trabalhistas.
TRIBUNA DO NORTE